A recente oficialização do casamento
entre um casal barbarense, o reconhecimento da união de cerca de 90 casais no
Rio de Janeiro dia 9 de dezembro e a abertura das inscrições para um casamento
comunitário homoafetivo em Campinas são notícias animadoras, pois mostram que a
sociedade evoluiu no que diz respeito ao fim da discriminação. Contudo, é
preciso ficar atento para não adotar uma postura que encara gays e lésbicas de
maneira estereotipada e, por isso mesmo, quase tão preconceituosa e ofensiva
quanto a homofobia.
O reconhecimento social da
homossexualidade não representa nenhum favor ou tolerância. Tão instintiva
quanto a heterossexualidade, essa orientação sexual felizmente conquista cada
vez mais o respeito da sociedade. Nesse contexto, porém, afirmações como:
“todos os gays são muito legais e simpáticos” ou “eu adoraria ter um amigo gay
pois eles são mais sinceros” ou até “não tenho nada contra os gays, mas não
acho certo ficarem se acariciando em público” são extremamente agressivas.
Primeiramente, o caráter ou a simpatia de uma pessoa não estão ligados à sua
sexualidade. Atribuir qualidades a uma pessoa só porque ela é homossexual não é
um elogio, mas uma contribuição para que se pense cada vez mais nos gays como
uma classe (ou casta?) diferente e com características próprias, ignorando que
cada ser humano é único.
Afirmar não ter nada contra gays, mas
achar errado ou mesmo pecaminoso demonstrações de carinho em público é no
mínimo contraditório, e revela que a expressão “tolerância sexual” foi adotada
ao pé da letra. Tolerar está mais próximo de “aguentar” do que de “respeitar”. A
tolerância não é tão ruim quanto a violência (física ou moral), mas não é nem
de longe aquilo que tornará a sociedade melhor.
Em um mundo tão cheio de guerras e atos
de violência, cada demonstração de carinho é valiosa, cada ato de amor deve ser
preservado.
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