quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Viver e não ter a vergonha de ser feliz



Segundo a sabedoria popular, toda criança passa pela fase do “porquê”. Nessa pergunta exaustivamente repetida, a criança quer saber não apenas o motivo das coisas que acontecem ao seu redor, mas a maneira, o funcionamento e os segredos que tudo parece esconder. O mundo, para os pequenos, é uma caixinha de surpresas. Tudo os fascina e intriga, tudo é um grande mistério.
Um mesmo lugar visto quando se é criança e quando já se é adulto muda de “tamanho”, pois na perspectiva da criança, tudo é enorme. Da mesma maneira, quase todas as crianças acham o máximo ser gente grande, pois quem é mais velho é muito poderoso: poder sair a noite sem os pais, poder brincar em todos os brinquedos do parque, poder ir dormir tarde, poder comer o que quiser, poder trabalhar pra comprar grandes e maravilhosos doces, enfim, é tanto poder que eles mal concebem.
Mas aí elas crescem e passam a escutar os pais, sempre dizendo que é preciso ter responsabilidades. Elas começam a entender que se ficarem brincando ao invés de estudar para a prova terão uma nota ruim. Elas percebem que se comerem todos os doces que queiram não vão almoçar direito e ficarão com fome mais tarde. Elas finalmente entendem que sim, apesar de brincar ser muito legal, elas precisam dormir na hora certa pra poder acordar na hora certa no dia seguinte. Enxergar tudo isso faz bem para as crianças. Uma hora ou outra a vida perde a brilhantina que as atordoava quando pequenas, e isso é bom, pois é de conhecimento de todos que é preciso estar com os pés bem fincados no chão para ter sucesso na vida e ser bem sucedido.
Só não se pode esquecer que as conquistas de adulto devem ser comemoradas com o mesmo espírito infantil. Afinal, todas as obrigações que acompanham a vida adulta não farão nenhum sentido se o amor pelas pequenas coisas for deixando de lado. 

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