A ativista paquistanesa Malala Yousafzai
de apenas 14 anos foi baleada dia 11 de outubro. O braço fundamentalista
islâmico Taleban assumiu a autoria do ataque e deixou bem claro: a atitude foi
uma repreensão à postura de Yousafzai, que defende a educação de meninas.
A jovem recebeu em 2011 o Prêmio
Nacional da Paz por sua defesa do direito das garotas de frequentarem a escola,
prática considerada ofensiva pelo grupo Taleban. A concepção do Taleban soa ridícula,
fruto de um pensamento machista dominante. É condenável a violência cometida
contra Yousafzai.
Porém quase tão absurdo quanto não
deixar as garotas estudarem é tratar as mulheres como objetos, é alimentar o
complexo do príncipe encantado, é fazer delas escravas de um padrão de magreza.
Aqui no Brasil, cada menina tem o
direito de frequentar a escola. Mas cada menina também é condicionada a
acreditar que existe algum homem especialmente reservado pra ela, e apenas em
seus braços ela encontrará a verdadeira felicidade e sua realização como
mulher. Cada menina também cresce
recebendo estímulos para respeitar o padrão magreza de beleza, acreditando que
ser gorda é algo do qual ela precisa fugir se quiser ser amada pelo tão sonhado
príncipe.
A violência contra o sexo feminino não é
uma marca exclusiva do fundamentalismo islâmico. A ativista Malala Yousafzai
ergueu sua voz para reclamar seu acesso ao conhecimento, mas expresso aqui meu
desejo de que as mulheres que já têm acesso a esse precioso bem o utilizem pra
se libertar das amarras do machismo, reconhecendo-se como seres completos e
independentes.
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