quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Os diferentes grilhões



A ativista paquistanesa Malala Yousafzai de apenas 14 anos foi baleada dia 11 de outubro. O braço fundamentalista islâmico Taleban assumiu a autoria do ataque e deixou bem claro: a atitude foi uma repreensão à postura de Yousafzai, que defende a educação de meninas.
A jovem recebeu em 2011 o Prêmio Nacional da Paz por sua defesa do direito das garotas de frequentarem a escola, prática considerada ofensiva pelo grupo Taleban. A concepção do Taleban soa ridícula, fruto de um pensamento machista dominante. É condenável a violência cometida contra Yousafzai.
Porém quase tão absurdo quanto não deixar as garotas estudarem é tratar as mulheres como objetos, é alimentar o complexo do príncipe encantado, é fazer delas escravas de um padrão de magreza.
Aqui no Brasil, cada menina tem o direito de frequentar a escola. Mas cada menina também é condicionada a acreditar que existe algum homem especialmente reservado pra ela, e apenas em seus braços ela encontrará a verdadeira felicidade e sua realização como mulher.  Cada menina também cresce recebendo estímulos para respeitar o padrão magreza de beleza, acreditando que ser gorda é algo do qual ela precisa fugir se quiser ser amada pelo tão sonhado príncipe.
A violência contra o sexo feminino não é uma marca exclusiva do fundamentalismo islâmico. A ativista Malala Yousafzai ergueu sua voz para reclamar seu acesso ao conhecimento, mas expresso aqui meu desejo de que as mulheres que já têm acesso a esse precioso bem o utilizem pra se libertar das amarras do machismo, reconhecendo-se como seres completos e independentes.


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