O ciclista Lance Armstrong foi banido do
esporte por fazer uso de doping. O atleta também perdeu muitos prêmios,
incluindo o heptacampeonato da Volta da França. As substâncias utilizadas por
ele favoreceram-no nas competições, tornando as disputas desiguais. Descoberta
a fraude, tudo que ele havia “conseguido” foi considerado fruto dessa trapaça,
que não é exclusiva do esporte. É possível encontrar diferentes dopings na
sociedade. No ar fica a questão: vale a pena burlar as regras em busca da
vitória?
Armstrong não foi o primeiro e
(infelizmente) não será o último a fazer uso de substâncias ilícitas para se
sobressair dos demais atletas em uma competição. Tentar tirar vantagem,
descumprir o regulamento, mentir e dissimular para alcançar um objetivo não são
pecados cometidos somente no esporte, mas também na vida. É também um doping colar
na prova, prejudicar um colega de empresa para lhe tomar
o cargo e se apropriar do dinheiro público para enriquecimento ilícito.
Descoberta as fraudes, o que resta a
Armstrong é a vergonha; mas mesmo que o doping tivesse ficado oculto, a vitória
nunca seria dele; seria da substância que o fez mais resistente. Da mesma
maneira, quando alguém enriquece, ou ganha prestígio, ou apenas cumpre uma
obrigação lançando mão de artifícios fraudulentos, conquista apenas a parte
material da vitória. O sentimento de superação, a satisfação verdadeira de ter
vencido com o próprio suor não existe; ao contrário, o que há é a impressão de
que, sozinho, nada teria sido feito. Quem opta pela vantagem desonesta assume
sua própria incapacidade.
Numa sociedade em que o lucro é mais
importante do que os valores, não é de se estranhar que o doping aconteça, seja
em uma competição internacional, uma licitação pública ou em uma prova escolar.
Cada situação tem diferentes pesos e importâncias, mas a honestidade cabe bem
em qualquer lugar.
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