domingo, 28 de outubro de 2012

Honestidade não tem tamanho



O ciclista Lance Armstrong foi banido do esporte por fazer uso de doping. O atleta também perdeu muitos prêmios, incluindo o heptacampeonato da Volta da França. As substâncias utilizadas por ele favoreceram-no nas competições, tornando as disputas desiguais. Descoberta a fraude, tudo que ele havia “conseguido” foi considerado fruto dessa trapaça, que não é exclusiva do esporte. É possível encontrar diferentes dopings na sociedade. No ar fica a questão: vale a pena burlar as regras em busca da vitória?
Armstrong não foi o primeiro e (infelizmente) não será o último a fazer uso de substâncias ilícitas para se sobressair dos demais atletas em uma competição. Tentar tirar vantagem, descumprir o regulamento, mentir e dissimular para alcançar um objetivo não são pecados cometidos somente no esporte, mas também na vida. É também um doping colar na prova, prejudicar um colega de empresa para lhe tomar o cargo e se apropriar do dinheiro público para enriquecimento ilícito.
Descoberta as fraudes, o que resta a Armstrong é a vergonha; mas mesmo que o doping tivesse ficado oculto, a vitória nunca seria dele; seria da substância que o fez mais resistente. Da mesma maneira, quando alguém enriquece, ou ganha prestígio, ou apenas cumpre uma obrigação lançando mão de artifícios fraudulentos, conquista apenas a parte material da vitória. O sentimento de superação, a satisfação verdadeira de ter vencido com o próprio suor não existe; ao contrário, o que há é a impressão de que, sozinho, nada teria sido feito. Quem opta pela vantagem desonesta assume sua própria incapacidade.
Numa sociedade em que o lucro é mais importante do que os valores, não é de se estranhar que o doping aconteça, seja em uma competição internacional, uma licitação pública ou em uma prova escolar. Cada situação tem diferentes pesos e importâncias, mas a honestidade cabe bem em qualquer lugar.



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