O ser humano tem uma necessidade muito forte de acreditar.
Adotar uma verdade que faça a vida fazer sentido é uma atitude normal, e é de
conhecimento público que as diferentes crenças devem ser respeitadas (mesmo que
isso muitas vezes não aconteça). É preciso sim respeitar a verdade do outro, porém
sem abandonar o senso crítico.
A crença é fascinante, pois é a única coisa que dá sentido à
vida. Mas não se pode ignorar que o nazismo também é uma corrente ideológica, e
serviu como propósito de vida a muitos. E que os pilotos Kamikaze da Segunda
Guerra também acreditavam que aquilo que estavam fazendo era o certo, segundo
os valores ditados pelo caráter do espírito nacionalista que comungavam.
Infelizmente, ideologias que promovem
o desrespeito à vida humana não são coisa do passado. Como exemplo é possível
citar um carro-bomba explodiu em um mercado no Paquistão e matou mais de dez
pessoas no dia 31 de agosto; o local é cenário recorrente de disputas de grupos
extremistas. Também é possível lembrar de tribos indígenas no Brasil que matam
o primogênito se for uma menina. Para quem está inserido naquele contexto a
prática faz sentido, mas nem por isso é algo aceitável.
Para não ferir a soberania nacional e a liberdade de crença,
muitos desrespeitos à vida humana simplesmente são encarados como fatores
culturais. É necessário que isso pare. Talvez um documento inspirado na
Declaração dos Direitos Humanos, mas que seja democrático e reconhecido
universalmente possa ser uma solução. Ele deveria estabeleçer as condições
mínimas para todo ser humano manter sua dignidade, e qualquer ideologia que o
desobedeça deve estar sujeita a sanções. As crenças são ótimas para dar sentido
à vida, mas não podem servir como justificativa para atos de violência. Senão,
talves seja melhor não tê-las.
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