terça-feira, 18 de setembro de 2012

Aprendizagem com alunos

A estudante de História Thays de Macêdo deu início à sua participação no PIBID. Segundo ela, estudantes de licenciatura da PUC-Campinas ministram projetos lúdicos e pedagógicos a alunos de escolas públicas na periferia de Campinas. Além de história, outras disciplinas como literatura, artes, geografia e filosofia também formam suas turmas, que contam, cada uma, com dois universitários cursando a matéria em questão encabeçando os encontros. A turma de Thays é composta por nove estudantes, que têm entre 15 e 17 anos, e estão ali por espontânea vontade, pois a participação no projeto é facultativa.


A atividade proposta pela companheira de Thays, Priscila, era uma discussão a respeito das gerações (dos anos 40 a 50, de 60 a 80 e de 80 até hoje), os conflitos, diferenças e semelhanças. Thays destacou o potencial dos estudantes. De acordo com ela, são alunos interessados, participativos e com grandes capacidades. É preciso, em alguns momentos, incentivá-los a se expressar, mas uma vez iniciada a fala, eles se soltam e surpreendem.

Ao final dessa atividade, houve o chamado “grupão”: reunião com todos os universitários e estudantes das turmas de todas as disciplinas. Os condutores da turma de filosofia aplicaram uma dinâmica em que os alunos deveriam classificar valores como positivos ou negativos; Thays garante que buscou questionar os conceitos dos alunos, fazendo-os se questionarem acerca de cada decisão.
Macêdo também relatou o problema da falta de infra-estrutura na escola. Por um problema de abastecimento, o colégio estava sem água, e com o calor provocado pelos dois meses de estiagem, as crianças que estudam no período sofreram muito com a sede. Segundo Thays, o principal problema é a morosidade e falta de vontade dos funcionários da escola. Do diretor à merendeira, ninguém parecia se importar com a sede das crianças, e nada foi feito para atenuar a situação. Thays e Priscila compraram garrafas de água em um bar próximo e distribuíram aos alunos que estavam participando do PIBID, mas o restante da escola não encontrou a mesma disposição de seus professores e responsáveis.

Para Thays, a questão da falta de água reflete toda uma situação de comodidade que invade o ensino público. Grande parte do problema da educação no Brasil tem raízes nessa postura passiva do professor, que não cobra da diretoria, que por sua vez não cobra do governo as melhorias necessárias (e básicas) para que o ensino funcione. A universitária admite que a falta de incentivos e de estrutura desestimulam o profissional, mas acredita que um professor pode mudar a realidade de seus alunos a partir da sala de aula.

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