A morte do embaixador dosEstados Unidos na Líbia e os furiosos protestos em países islâmicos estão enraizados na polêmica de um filme de um cineasta americano. A produção retrata o profeta Maomé de maneira ofensiva e causou a fúria em muitos muçulmanos, que atacaram a embaixada americana na Líbia.
Segundo o censo de 2010 do IBGE, o número
de declarantes católicos no Brasil caiu em relação à pesquisa anterior, mas o
número de evangélicos e espíritas subiu, e o de que se declaram sem religião
corresponde a 8% (um aumento de apenas 0,7% com relação a dez anos atrás).
Logo, é fácil traçar um panorama geral em que se vê um aumento na diversidade
religiosa. E esse não é um quadro exclusivo do Brasil; no mundo todo nascem muitas
religiões (ou seitas, se preferir), a todo o tempo. Cada uma carrega consigo a
missão de explicar o sentido da vida e indicar caminhos para se chegar à
plenitude. Com tantas crenças, é não é justo apontar qual é certa e qual é
errada. O respeito é o oxigênio que permite a existência das diferenças. E
isso, aparentemente, faltou ao cineasta que satirizava o profeta Maomé: ele não
usou sua liberdade de expressão; ele feriu a liberdade de crença.
Mas respeitar é diferente de ser conivente
com atitudes que ferem a humanidade. Senão, seria justificável o holocausto da
Segunda Guerra Mundial, em que milhões de judeus foram mortos segundo uma
crença que pregava que isso era a atitude certa, o sacrifício purificante. Para
os alemães que comungavam desse pensamento, o repulsivo massacre fazia sentido.
Os ataques às embaixadas americanas e a
morte do embaixador dos EUA são condenáveis. Eles não estão lutando pelo
respeito à Maomé; estão apenas justificando a violência através dos dogmas religiosos. Respeito ao diferentes
credos é importante. Mas não mais do que o respeito à vida humana.
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