Já dura dois meses a greve das chuvas na região da RMC (Região Metropolitana de Campinas). Em
entrevista concedida ontem, o presidente do Sindicato das Águas afirmou que a
liberação das nuvens para precipitação só ocorrerá depois de um acordo com as
autoridades responsáveis pelo consumo consciente da água; ou seja, todos. O
sindicato lembrou, ainda, que entre reivindicações está principalmente o
investimento por parte do poder público no departamento de distribuição.
Os já costumeiros períodos de seca se agravaram, segundo
ele, por conta do descaso geral das autoridades para com a situação da classe
das águas. Questionado sobre os problemas que a paralisação causa na vida dos
moradores, o sindicato reconheceu que a situação é crítica: prejuízos
financeiros são contabilizados e a saúde da população está sendo prejudicada.
Em consequência, os hospitais e postos ficam lotados, e, como em efeito dominó,
a precariedade do sistema de saúde é escancarada.
Ainda de acordo com o presidente, a greve visa também tornar
a população uma aliada do sindicato; ou seja, fazer valer a já disseminada
necessidade de preservação da água, que todos conhecem, mas quase ninguém
cumpre. Ele não esquece, porém, que é de extrema importância o investimento
real no setor; afinal, a água é um bem básico para a vida. O poder público deve
estar preparado para suprir essa necessidade, mesmo nos períodos de estiagem.
O presidente do Sindicato das Águas terminou a entrevista
dando um panorama nacional sobre a situação da classe trabalhadora. “Se os
governos em geral não estão preparados para suprir a necessidade básica da
população de beber água, como se pode esperar que estejam aptos a lidar com
outras greves, como a dos Correios e dos Bancos?”.