quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Presidente do Sindicato das Águas fala sobre a greve do setor


Já dura dois meses a greve das chuvas na região da RMC (Região Metropolitana de Campinas). Em entrevista concedida ontem, o presidente do Sindicato das Águas afirmou que a liberação das nuvens para precipitação só ocorrerá depois de um acordo com as autoridades responsáveis pelo consumo consciente da água; ou seja, todos. O sindicato lembrou, ainda, que entre reivindicações está principalmente o investimento por parte do poder público no departamento de distribuição.

Os já costumeiros períodos de seca se agravaram, segundo ele, por conta do descaso geral das autoridades para com a situação da classe das águas. Questionado sobre os problemas que a paralisação causa na vida dos moradores, o sindicato reconheceu que a situação é crítica: prejuízos financeiros são contabilizados e a saúde da população está sendo prejudicada. Em consequência, os hospitais e postos ficam lotados, e, como em efeito dominó, a precariedade do sistema de saúde é escancarada.

Ainda de acordo com o presidente, a greve visa também tornar a população uma aliada do sindicato; ou seja, fazer valer a já disseminada necessidade de preservação da água, que todos conhecem, mas quase ninguém cumpre. Ele não esquece, porém, que é de extrema importância o investimento real no setor; afinal, a água é um bem básico para a vida. O poder público deve estar preparado para suprir essa necessidade, mesmo nos períodos de estiagem.

O presidente do Sindicato das Águas terminou a entrevista dando um panorama nacional sobre a situação da classe trabalhadora. “Se os governos em geral não estão preparados para suprir a necessidade básica da população de beber água, como se pode esperar que estejam aptos a lidar com outras greves, como a dos Correios e dos Bancos?”.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Aprendizagem com alunos

A estudante de História Thays de Macêdo deu início à sua participação no PIBID. Segundo ela, estudantes de licenciatura da PUC-Campinas ministram projetos lúdicos e pedagógicos a alunos de escolas públicas na periferia de Campinas. Além de história, outras disciplinas como literatura, artes, geografia e filosofia também formam suas turmas, que contam, cada uma, com dois universitários cursando a matéria em questão encabeçando os encontros. A turma de Thays é composta por nove estudantes, que têm entre 15 e 17 anos, e estão ali por espontânea vontade, pois a participação no projeto é facultativa.


A atividade proposta pela companheira de Thays, Priscila, era uma discussão a respeito das gerações (dos anos 40 a 50, de 60 a 80 e de 80 até hoje), os conflitos, diferenças e semelhanças. Thays destacou o potencial dos estudantes. De acordo com ela, são alunos interessados, participativos e com grandes capacidades. É preciso, em alguns momentos, incentivá-los a se expressar, mas uma vez iniciada a fala, eles se soltam e surpreendem.

Ao final dessa atividade, houve o chamado “grupão”: reunião com todos os universitários e estudantes das turmas de todas as disciplinas. Os condutores da turma de filosofia aplicaram uma dinâmica em que os alunos deveriam classificar valores como positivos ou negativos; Thays garante que buscou questionar os conceitos dos alunos, fazendo-os se questionarem acerca de cada decisão.
Macêdo também relatou o problema da falta de infra-estrutura na escola. Por um problema de abastecimento, o colégio estava sem água, e com o calor provocado pelos dois meses de estiagem, as crianças que estudam no período sofreram muito com a sede. Segundo Thays, o principal problema é a morosidade e falta de vontade dos funcionários da escola. Do diretor à merendeira, ninguém parecia se importar com a sede das crianças, e nada foi feito para atenuar a situação. Thays e Priscila compraram garrafas de água em um bar próximo e distribuíram aos alunos que estavam participando do PIBID, mas o restante da escola não encontrou a mesma disposição de seus professores e responsáveis.

Para Thays, a questão da falta de água reflete toda uma situação de comodidade que invade o ensino público. Grande parte do problema da educação no Brasil tem raízes nessa postura passiva do professor, que não cobra da diretoria, que por sua vez não cobra do governo as melhorias necessárias (e básicas) para que o ensino funcione. A universitária admite que a falta de incentivos e de estrutura desestimulam o profissional, mas acredita que um professor pode mudar a realidade de seus alunos a partir da sala de aula.

domingo, 16 de setembro de 2012

Nua


Oh meu deus, ele me viu nua... foi como se meu corpo inteiro tivesse ficado vermelho. Eu quis me cobrir inteira, cobrir até a minha alma... e fazia tanto tempo que ele não me via assim de verdade. Claro, transamos ontem a noite, mas ele nem tirou a minha blusa.... e na verdade, só arriou a cueca. E mesmo quando a nudez era completa, não era de verdade. A gente tem o café diário de manhã, a ligação no almoço, com o roteiro bem ensaiado de perguntas e respostas, beijo de que bom te ver depois desse dia, o jantar, programas de teve, beijo de boa noite, sexo semanal. Passeio de fim de semana, comidas gordurosas, relação gordurosa, abraço gorduroso. Mas ele nunca mais me viu. Ele sabia dizer quando eu estava irritada, mas não se importava realmente. Nunca me levava embora quando sabia que eu queria. Não por que não visse, mas porque não fazia questão em reparar, em olhar.
As conversas são tão chatas, me chateiam e etc., mas nada no script que seguimos a tanto tempo abre margem pra esse tipo de manifestação... então eu aproveito a minha deixa e conto da nova secretária idiota do trabalho. A convivência tornou a sincronia algo banal, pois essa não acontece mais pela convivência, mas pela convivência.... até mesmo o toque não faz mais nada. É só o toque.
Mas então ele me viu, quase sem querer, saindo do banheiro sem toalha, e droga, ele me viu completamente nua, eu mesma, acabando de sair do banho, sem ter me preparado pra ser olhada e não vista por ele. E ele não esperava me olhar e não teve tempo de se preparar pra não me ver. Então ele me viu, eu mesma, ele mesmo me olhando, me reparando. E eu senti vergonha, acelerei o passo para o quarto. E foi isso. Quando eu saí de lá ele me perguntou se a água estava quente. 

A Liberdade de acreditar. E de viver.


A morte do embaixador dosEstados Unidos na Líbia e os furiosos protestos em países islâmicos estão enraizados na polêmica de um filme de um cineasta americano. A produção retrata o profeta Maomé de maneira ofensiva e causou a fúria em muitos muçulmanos, que atacaram a embaixada americana na Líbia. 
Segundo o censo de 2010 do IBGE, o número de declarantes católicos no Brasil caiu em relação à pesquisa anterior, mas o número de evangélicos e espíritas subiu, e o de que se declaram sem religião corresponde a 8% (um aumento de apenas 0,7% com relação a dez anos atrás). Logo, é fácil traçar um panorama geral em que se vê um aumento na diversidade religiosa. E esse não é um quadro exclusivo do Brasil; no mundo todo nascem muitas religiões (ou seitas, se preferir), a todo o tempo. Cada uma carrega consigo a missão de explicar o sentido da vida e indicar caminhos para se chegar à plenitude. Com tantas crenças, é não é justo apontar qual é certa e qual é errada. O respeito é o oxigênio que permite a existência das diferenças. E isso, aparentemente, faltou ao cineasta que satirizava o profeta Maomé: ele não usou sua liberdade de expressão; ele feriu a liberdade de crença.
Mas respeitar é diferente de ser conivente com atitudes que ferem a humanidade. Senão, seria justificável o holocausto da Segunda Guerra Mundial, em que milhões de judeus foram mortos segundo uma crença que pregava que isso era a atitude certa, o sacrifício purificante. Para os alemães que comungavam desse pensamento, o repulsivo massacre fazia sentido.
Os ataques às embaixadas americanas e a morte do embaixador dos EUA são condenáveis. Eles não estão lutando pelo respeito à Maomé; estão apenas justificando a violência  através dos dogmas religiosos. Respeito ao diferentes credos é importante. Mas não mais do que o respeito à vida humana.


Punir para preservar a vida


Estados Unidos na Líbia e os furiosos protestos em países islâmicos estão enraizados na polêmica de um filme de um cineasta americano. A produção retrata o profeta Maomé de maneira ofensiva e causou a fúria em muitos muçulmanos, que atacaram a embaixada americana na Líbia.
Atualmente, é necessária a comprovação de 6 decigramas de álcool no sangue para que o motorista seja considerado embriagado. Essa constatação só pode ser feita através do bafômetro ou de exame de sangue. Contudo, ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Logo, se o motorista se recusar a fazer qualquer um dos testes, a justiça estará de mãos atadas para promover qualquer tipo de ação penal contra ele por colocar a vida de outras pessoas em risco. Ou seja, pagar pelo crime de dirigir bêbado é uma decisão do próprio infrator.
Com o novo projeto de lei, o testemunho de policiais ou civis bastará para a comprovação da incapacidade para dirigir. Se o motorista discordar, poderá fazer o teste do bafômetro – nesse caso, como forma de corroborar sua sobriedade.
Recentemente, fiz o curso do CFC (Centro de Formação de Condutores), a fim de tirar a carteira de motorista. Nas aulas foram mostrados alguns vídeos com acidentes de trânsito. O instrutor repetia com frequência os perigos de se dirigir bêbado e a necessidade de guiar com atenção. Porém alguns acidentes são inevitáveis, e desses, grande parte é provocada pelo álcool.
Todo mundo sabe que não pode dirigir bêbado. É o tipo de conscientização exaustivamente veiculada nos meios de comunicação e nos CFC’s. Mas a irresponsabilidade parece não se abalar, e as mortes no trânsito só aumentam. Esse é um sintoma do quanto a vida humana têm perdido o valor. Nesse contexto, o egoísmo, o excesso de confiança e a presunção soam mais fortes do que a necessidade da preservação da vida humana, e não deixa de ser triste que a melhor opção para evitar mais mortes seja ampliar a punição.



A exceção, e não a regra


Em menos de um mês, dois homens sofreram graves acidentes durante o trabalho e saíram ilesos. Eduardo Leite teve o crânio perfurado por um vergalhão no dia 16 de agosto e no último dia 12 Francisco Bento Barroso caiu de uma altura de três metros e teve também um vergalhão atravessando seu pescoço. Felizmente, os dois sobreviveram e não ficaram com sequelas, mas eles são a exceção em casos assim.
Os casos ganharam notoriedade nos noticiários, em que uma simulação do vergalhão cravado no crânio de Leite e a foto de Barroso provocaram comoção pública. O fato de não haver sequelas e as imagens dos homens caminhando e conversando normalmente conferiram notoriedade ao caso. Mas é preciso ter cautela, pois os dois representam a exceção, e não a regra. Acidentes de trabalho muitas vezes provocam a morte dos trabalhadores.
O bem maior de uma empresa são os recursos humanos. Todos os funcionários, de todos os setores, são os responsáveis por fazer com que ela produza bens e gere lucros. Garantir que o ambiente de trabalho seja seguro é essencial, tanto para a operacionalidade quanto pela postura da empresa frente à vida humana.
Na região, há cursos especializados em Segurança do Trabalho. Ou seja, há profissionais da área se formando todo o semestre, e só não investe nisso o empresário que realmente não se importa com seus semelhantes. Em contrapartida, cabe aos funcionários levar a sério os eventos de segurança que a empresa promove, e utilizar os equipamentos de proteção individual.
Trabalhar é muito mais do que ganhar o pão; é conferir à rotina diária a capacidade de produzir. A muitos pode parecer que é recompensa vem apenas no quinto dia útil, mas é inegável que um trabalho bem feito, um resultado positivo, uma meta atingida, ou mesmo um elogio, trazem orgulho pessoal ao funcionário. Afinal, ele é um ser humano, e como tal, sua vida e segurança devem ser preservadas.









domingo, 9 de setembro de 2012

Ideologia, eu quero uma pra viver

O ser humano tem uma necessidade muito forte de acreditar. Adotar uma verdade que faça a vida fazer sentido é uma atitude normal, e é de conhecimento público que as diferentes crenças devem ser respeitadas (mesmo que isso muitas vezes não aconteça). É preciso sim respeitar a verdade do outro, porém sem abandonar o senso crítico.
A crença é fascinante, pois é a única coisa que dá sentido à vida. Mas não se pode ignorar que o nazismo também é uma corrente ideológica, e serviu como propósito de vida a muitos. E que os pilotos Kamikaze da Segunda Guerra também acreditavam que aquilo que estavam fazendo era o certo, segundo os valores ditados pelo caráter do espírito nacionalista que comungavam.
Infelizmente, ideologias que promovem o desrespeito à vida humana não são coisa do passado. Como exemplo é possível citar um carro-bomba explodiu em um mercado no Paquistão e matou mais de dez pessoas no dia 31 de agosto; o local é cenário recorrente de disputas de grupos extremistas. Também é possível lembrar de tribos indígenas no Brasil que matam o primogênito se for uma menina. Para quem está inserido naquele contexto a prática faz sentido, mas nem por isso é algo aceitável.
Para não ferir a soberania nacional e a liberdade de crença, muitos desrespeitos à vida humana simplesmente são encarados como fatores culturais. É necessário que isso pare. Talvez um documento inspirado na Declaração dos Direitos Humanos, mas que seja democrático e reconhecido universalmente possa ser uma solução. Ele deveria estabeleçer as condições mínimas para todo ser humano manter sua dignidade, e qualquer ideologia que o desobedeça deve estar sujeita a sanções. As crenças são ótimas para dar sentido à vida, mas não podem servir como justificativa para atos de violência. Senão, talves seja melhor não tê-las.