O transporte coletivo é uma
interessante ferramenta para diminuir a emissão dos gases que provocam o efeito
estufa. A ideia de várias pessoas locomovendo-se com um mesmo veículo ao invés
de cada uma usando um gera economia ao bolso do consumidor e não deixa de ser
uma atitude ecologicamente correta dentro das possibilidades desse mundo movido
a petróleo. O problema está na qualidade desse recurso, tão pouco valorizado.
O ideal, talvez, seria a
implantação total de biocombustíveis, mas essa é uma mudança que, se de fato
ocorrer, será fruto de um processo gradativo. Até lá, o transporte coletivo
deveria receber incentivos, o que claramente não acontece. Prova disso são os
ônibus em mau estado de conservação, quebrados, fora do horário e perigosamente
cheios. Esse último problema além de gerar desconforto aos passageiros,
coloca-os em risco de vida. O motorista por vezes não consegue enxergar o
trânsito pelo seu lado direito, de tão abarrotado que fica o veículo; muitos
viajam em pé, nas escadas, segurando-se nas barras de ferro. Em uma descida ou freada brusca, não são raras
as quedas e acidentes. Se puder escolher, ninguém prefere andar de ônibus.
Já conversei com motoristas
que afirmam que novos carros vão chegar às ruas em breve, mas essa é uma
questão que não pode esperar. Toda vez que uma pessoa entra em um ônibus
superlotado, está pondo sua vida em risco; e isso acontece diariamente. O mais
preocupante é que não pode-se atribuir o problema a nenhuma crise regional, já
que ele também acontece em outros lugares. Um exemplo fácil é a cidade de São
Paulo, com seus ônibus e metrôs sempre lotados.
Nesse cenário, cada um quer o(s) seu(s) próprio(s) carro(s), garantindo mais segurança, conforto e pontualidade. Então nascem os congestionamentos, bolsões de calor e financiamentos infinitos. Criou-se o conceito de que transporte público é para quem não tem outra opção, ao invés de ser uma possibilidade a ser valorizada numa economia sustentável.
É muito mais cômodo para o
Estado adotar uma medida paliativa, como um acordo pra tirar as sacolas
plásticas de circulação, deixando o prejuízo para os consumidores, do que
investir pesado na diminuição efetiva da emissão de gás carbônico. Além do
mais, é obrigação do governo garantir transporte de segurança para a população.
Se as empresas privadas estão colocando a vida dos cidadãos em risco, o Estado
tem o dever de intervir. Antes de respeitar a liberdade do mercado, deve-se
pensar na segurança do povo.
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