domingo, 13 de maio de 2012

O direito de ir e vir com segurança


O transporte coletivo é uma interessante ferramenta para diminuir a emissão dos gases que provocam o efeito estufa. A ideia de várias pessoas locomovendo-se com um mesmo veículo ao invés de cada uma usando um gera economia ao bolso do consumidor e não deixa de ser uma atitude ecologicamente correta dentro das possibilidades desse mundo movido a petróleo. O problema está na qualidade desse recurso, tão pouco valorizado.
O ideal, talvez, seria a implantação total de biocombustíveis, mas essa é uma mudança que, se de fato ocorrer, será fruto de um processo gradativo. Até lá, o transporte coletivo deveria receber incentivos, o que claramente não acontece. Prova disso são os ônibus em mau estado de conservação, quebrados, fora do horário e perigosamente cheios. Esse último problema além de gerar desconforto aos passageiros, coloca-os em risco de vida. O motorista por vezes não consegue enxergar o trânsito pelo seu lado direito, de tão abarrotado que fica o veículo; muitos viajam em pé, nas escadas, segurando-se nas barras de ferro.  Em uma descida ou freada brusca, não são raras as quedas e acidentes. Se puder escolher, ninguém prefere andar de ônibus.

Já conversei com motoristas que afirmam que novos carros vão chegar às ruas em breve, mas essa é uma questão que não pode esperar. Toda vez que uma pessoa entra em um ônibus superlotado, está pondo sua vida em risco; e isso acontece diariamente. O mais preocupante é que não pode-se atribuir o problema a nenhuma crise regional, já que ele também acontece em outros lugares. Um exemplo fácil é a cidade de São Paulo, com seus ônibus e metrôs sempre lotados.

Nesse cenário, cada um quer o(s) seu(s) próprio(s) carro(s), garantindo mais segurança, conforto e pontualidade. Então nascem os congestionamentos, bolsões de calor e financiamentos infinitos. Criou-se o conceito de que transporte público é para quem não tem outra opção, ao invés de ser uma possibilidade a ser valorizada numa economia sustentável.

É muito mais cômodo para o Estado adotar uma medida paliativa, como um acordo pra tirar as sacolas plásticas de circulação, deixando o prejuízo para os consumidores, do que investir pesado na diminuição efetiva da emissão de gás carbônico. Além do mais, é obrigação do governo garantir transporte de segurança para a população. Se as empresas privadas estão colocando a vida dos cidadãos em risco, o Estado tem o dever de intervir. Antes de respeitar a liberdade do mercado, deve-se pensar na segurança do povo.