sexta-feira, 1 de julho de 2011

Dar Esmola ou Não ?

Uma criança maltrapilha pedindo dinheiro não é cena rara. Infelizmente, repete-se várias vezes ao dia em praticamente todas as cidades brasileiras. Dando esmola, pode-se estar alimentando o vício em drogas, bebidas ou incentivando a exploração infantil por adultos cruéis. Por esses motivos, muitas pessoas não dão dinheiro e argumentam que, ao invés de esmolas, essas crianças precisam é de um lar, educação e família. Esquecem, porém, que a questão da esmola não se resume a isso.
Muitas pessoas vivem à margem da sociedade, morando nas ruas, sem emprego ou dignidade. Os fatores que levaram a essa crise são diversos. Podemos culpar o Capitalismo, a má distribuição de renda, o descaso dos governantes, até mesmo o individualismo que se instalou nos seres humanos. Dentre os excluídos da sociedade encontram-se muitas crianças, que levam a vida pedindo esmolas a motoristas e transeuntes. As drogas, o álcool e mesmo adultos que se aproveitam da condição dessas crianças e utilizam-nas como uma forma de ganhar dinheiro fácil são agravantes sérios, pois agem na manutenção do ciclo onde a infância se perde cada vez mais.
Nesse cenário, ajudar, mesmo com pouco, soa duvidoso. Parece uma contribuição para a continuidade do problema; obtendo resultados, a criança não vai parar de mendigar sob a pressão de seus responsáveis e começar a ir para a escola, ao contrário, continuará nas ruas; ou então, a criança pode usar o dinheiro para se entorpecer e afundar cada vez mais. Assim, muita gente se recusa a ajudar, acreditando estar fazendo o certo.
Segundo balanço da ONU, 300 milhões de crianças passam fome no mundo todo. É um número absurdo, e revela uma realidade chocante: milhões de crianças não têm condições de suprir uma das necessidades mais básicas do ser humano - se alimentar.
A solução para a fome é uma séria reforma social; uma mobilização coletiva com ações conjuntas entre governo e população. O correto é tomar pela mão a criança que pede esmola e entregá-la a uma entidade do Terceiro Setor (ONGS). Porém, na correria do dia-a-dia, quem faz isso?
Enquanto esperamos uma atitude das partes responsáveis – Estado e sociedade -, as crianças continuam sem ter o que comer. Mesmo consciente dos inúmeros caminhos que seu dinheiro pode tomar ao ser dado como esmola, ajude. Não por desencargo de consciência, pensando que fez sua parte. Mas pela terrível possibilidade de que aquela criança que lhe pediu esmola esteja com fome. E fome não espera nenhuma revolução.

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