sexta-feira, 3 de junho de 2011

UMA PROVA DUPLA

Estão abertas as inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio, prova que, segundo divulga o MEC (Ministério da Educação) em suas propagandas, é porta de entrada para universidades. Esse ano a edição é especial, pois não representa uma prova somente aos estudantes.
É consenso entre quem já participou de edições anteriores que o ENEM é uma prova muito cansativa - são 180 questões que abrangem Ciências Humanas, da Natureza, Línguas e Matemática, e uma redação - que demanda atenção e dedicação dos candidatos. O esforço, contudo, promete ser recompensado: além de servir como vestibular em algumas universidades públicas, também possibilita o ingresso em faculdades particulares por meio de bolsas de estudo de 50% e até 100%. Pra quem almeja ser um profissional qualificado e bem remunerado futuramente, isso soa muito promissor.
O problema aparece quando se analisa as edições anteriores. Provas furtadas da gráfica, erros de impressão nos cadernos, nos gabaritos, além de toda a polêmica gerada ano passado no impasse entre cancelar a prova ou não. A idéia de imitar o vestibular unificado norte-americano é ótima, pois a padronização do processo seletivo garante sua imparcialidade e confiabilidade. Mas é necessário que exista toda uma estrutura bem organizada, responsável pela elaboração, distribuição, aplicação, correção e divulgação de gabaritos e resultados. Um exame desse porte tem potencial, inclusive, para auxiliar na tão comentada melhora da educação pública brasileira, incentivando alunos e professores a se prepararem para a prova, cujo conteúdo é (ou deveria ser) ensinado no Ensino Médio, mas que por vezes se perde sob a postura de muitos jovens brasileiros, que estão cada vez mais mergulhados em uma falta de interesse e de perspectiva desanimadoras. Essa falta de objetivos pode ser suprida com uma chance de ingressar em um curso superior; o ENEM pode ser essa oportunidade.
Os candidatos passarão os próximos meses preparando-se. Dedicarão tempo e esforço, apostarão as fichas de seus futuros nessa prova. Serão avaliados rigorosamente em seu raciocínio, conhecimento de mundo e de conteúdos de diversas áreas. O mínimo que eles merecem é um exame sério, bem aplicado, sem transtornos que voltem a abalar sua credibilidade frente às instituições de ensino.
O ENEM 2011 não é apenas uma prova aos estudantes, mas também ao MEC: ele mostrará se o governo realmente está empenhado em melhorar a educação no Brasil ou se isso faz parte apenas de mais um discurso demagógico, incansavelmente repetido. Torçamos por todos que serão avaliados nesse exame, para que façam a prova com seriedade e obtenham os melhores resultados possíveis, abrindo, assim, as portas para a educação.

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