sábado, 25 de junho de 2011

Nevoeiro



Minúsculas gotículas de umedecem a roupa, o cabelo, a pele. O ar está branco, e não é possível enxergar nada à frente ou atrás, apenas o que a lembrança desenha. Assusta prosseguir sem poder ver o que está adiante, mas é necessário caminhar. Quem para, fica. Quem se permite sentir o frio, congela. Quem desiste de tentar ver, se torna um cego em meio ao nevoeiro. Continuar não é uma escolha, pois as outras opções simplesmente não valem a pena. Cada passo traz em si a tristeza de deixar algo para trás e a esperança, quase temor, do que há em frente. O coração quente, dentro das camadas de sentimentos e emoções, não entende por que fechar ciclos é tão doloroso. É apenas mais um fato da vida, tal qual a gravidade que mantêm seus pés seguros, ou o oxigênio em seus pulmões. Mas por algum motivo, ele não consegue se desapegar, esquecer, deixar partir. A única coisa que o consola é a condensação: o nevoeiro vai cedendo ao entrar em contato com o calor de seu corpo. Ao seu redor, o ar torna-se transparente de novo, e por mais que a falta de visão amedronte, essa pequena vitória acende toda uma fagulha de esperança na intensidade e força de seu próprio calor.


Não há vento. Ainda está frio e difícil de enxergar, mas o coração enfim escolhe uma estrada, e por mais que deseje, não olha pra trás.

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