sábado, 30 de abril de 2011

Olhos, Ouvidos e Garganta da Sociedade

Segunda-feira última foi marcada pelo episódio do deputado Requião, onde ele arrancou um gravador das mãos de um jornalista e, após anunciar na rede social twitter, apagou a memória do aparelho. Bastou para indignar não apenas jornalistas e organizações da área, mas todos os cidadãos que prezam pela democracia. Segundo o deputado, o jornalista estava fazendo perguntas ofensivas acerca da aposentadoria que ele recebe como ex-governador do Paraná. Ofensivo, no entanto, é um representante do povo se esquivar de prestar contas do dinheiro público que recebe e usar o termo ‘‘bullying” para justificar seus atos de intolerância para com a liberdade de imprensa.
Vivemos num país que sofreu vinte e um anos de ditadura militar e nesse período teve sua imprensa reprimida. As ideias eram filtradas pela censura e, caso consideradas contra o regime, eram vetadas. Artistas veiculavam mensagens antiditadura subliminares em músicas, intelectuais eram exilados, militantes torturados, enfim, foram anos difíceis, onde a informação, esse bem precioso da população, estava ameaçada, perseguida. Os cidadãos foram privados do direito à informação objetiva e real, uma violência contra a intelectualidade da nação. É claro que atualmente qualquer ato que sinalize, mesmo que à distância, uma repressão à livre expressão será encarado com indignação pelo povo.
A relação entre política e jornalismo é mais complicada do que sugere à primeira vista, não é uma questão que ficou pra trás na história. Existem inúmeros exemplos atuais de momentos de tensão entre os dois. Nas últimas eleições presidenciais, humoristas foram vetados de falar sobre política, impedidos de fazer piada com os candidatos (esses que nem sempre mantêm a seriedade durante a campanha, tentando garimpar votos a qualquer custo). Os profissionais atingidos, porém, manifestaram-se contra essa decisão e conseguiram revertê-la. Na Argentina, arrasta-se o caso do jornal Clarín versus a presidente Cristina Kirchner. Talvez seja uma disputa sindical, talvez não, mas fato é que em nossas sociedades ditas democráticas a tentativa de refrear a imprensa escancara o quanto ainda se precisa avançar até a plenitude do “governo do povo e para o povo”.
O veículo que informa os cidadãos sobre o mundo que os cerca, busca instigar reflexões críticas da sociedade, motivar mudanças e divulgar as conquistas, derrotas, erros, acertos e sujeiras dos chefes de Estado é a imprensa. Tentar, sob qualquer pretexto, estancá-la, é vedar os olhos, os ouvidos e a garganta da sociedade democrática.

domingo, 17 de abril de 2011


Você vai embora, e não importa o quanto eu me esforce, ou o quanto eu queira que você fique. Você vai.

domingo, 10 de abril de 2011

Violência gera Violência

O Brasil inteiro chocou-se com a chacina ocorrida no Rio de Janeiro essa semana. O mundo acompanha com ansiedade as turbulências na faixa de Gaza e no norte da África. Mas não é preciso ir tão longe para ver os efeitos da violência. Na última sexta feira, dia 08 de abril, em Nova Odessa, um rapaz foi agredido por quatro homens, um deles armado com um pedaço de pau. Ao que tudo indica, o jovem estivera roubando um dos agressores. Mas será que resolve o problema espancá-lo? Muitos podem concordar com a atitude dos agressores, argumentando que o rapaz fez algo para merecer isso. Mas não é muito mais útil servir-se dos meios legais para puni-lo? Indo um pouco além, não seria uma solução muito mais eficaz e ética para esse problema um programa real de habilitação em penitenciárias? Muitos criminosos não têm solução, mas o que motiva atos violentos pode ter inúmeros fatores, é estupidez generalizar. Alguns podem, sim, se regenerar, e ao voltar para as ruas, passarem a ter uma vida dentro da Lei, não representando mais um perigo para a sociedade. Mas como um indivíduo que teve sua vida marcada pela violência, tornou-se um criminoso, passou anos sendo moldado na cadeia, sai da prisão? Com certeza, muito mais perigoso do que entrou. Enche-se a boca para falar que se gasta muito mais com os presos no Brasil do que com os estudantes. Na verdade, se gasta pouco com os dois. Os estudantes são o futuro do país e investir neles, é investir no Brasil de amanhã. Já os presos são um problema que, se ignorado, se agravará, trazendo consequências desastrosas para todos nós. Aos trabalhadores, estudantes, pais, mães, filhos, não está ao alcance planejar e executar nenhum plano de reabilitação: isso é dever do Estado, que parece realmente acreditar que lotar celas com criminosos é o caminho para a tão almejada paz. Mas está sim, perto de nossas mãos, contribuir dentro de nosso contexto para a proliferação da paz, e não da violência. Somos vítimas dela, e não a usemos como arma. Isso não soluciona, apenas serve de descarga emocional e gera mais violência.