
Houve um tempo em que tudo era fácil, simples, estável. Ela sabia quem era, o que queria e pra onde estava indo. Ela sabia o que era o amor, pois ele tinha um nome de santo. Ela sabia quem estava tentando se tornar, e porque. Ela seguia em frente, sem jamais deixar de voltar pra casa no fim do dia. Mas tudo acabou, e ela enxergou a vida real. Viu que nada é feito pra durar, e as certezas são as maiores ilusões que alguém pode ter. Ela tem que se descobrir a cada despertar, e rever seus conceitos antes do fim de cada dia. Não há porto seguro, não há um lugar só seu, não há mais nada, apenas a estrada. Ela abriu mão de tudo, menos da fé e do amor, que ela tem que renovar, reinventar todo o dia. Ela não sabe quem é, por que quando descobre, já mudou. Ela está perdida, não por não conseguir se encontrar, mas por que está sempre em movimento.
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