A vida é uma vadia.
Ela não é bonita como Chaplin te faz acreditar, ela não é racional e nem tem sentido.
Não tem fórmula matemática, e nem teoria que deem conta de captá-la em sua vadiagem.
Escrevam-na, cantem-na, proclamem-na, encenem-na, e tudo o mais. A minha continua sendo uma vadia.
Depois de encará-la de frente, sem máscaras, artifícios, cortinas, você verá que não estou mentindo.
A vida te faz sentir frio por dentro, seguir em frente mesmo quando não há mais motivo, escolher qual lado da encruzilhada parece mais verde e promissor. Pra sobreviver os animais suam; pra viver, os seres humanos sangram.
Tudo aquilo que faz a vida valer a pena é como ela: irracional e ridículo. Todos aqueles com quem você se importa são os motivos pelos quais você está vivo. Não se engane, você não luta a cada dia por amor próprio, você luta por ter alguém, ou pra ter.
Triste e belo é quando você simplesmente não se importa. As relações oscilam eternamente, os sentimentos são passageiros, as opiniões e impressões que os outros te causam não sobrevivem a uma fase da lua, e seu coração está sempre no vazio de si mesmo. Há nele um espaço enorme, onde ninguém se encaixa, se fixa. Ninguém pra tomá-lo como lar.
E nesse momento de aparente vácuo, ou você se embriaga de si mesmo e se enxerga no mundo ou fecha os olhos e continua vivendo, seguindo em frente, sem perguntar por que a vida é tão vadia com você.
Mas se escolher a última, não quer dizer que vá conseguir responder.
Se escolher a última, não terá sentirá a insanidade do questionamento.
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