sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Noite




A noite é a casa das perguntas.
A solidão nunca fica tão intensa quanto no ar fresco da noite.
A escuridão deixa ver a luz que durante o dia se camufla sob o sol e as pessoas.Sozinho, você e a insônia, tudo fica exposto e despido, sem pudor. É possível enxergar todo seu pecado, e traçar sem a incômoda sensação de estar sendo observado, sua estratégia.
O mundo inteiro cabe dentro do pensamento, e torna-se possível pesá-lo sob os olhos.
Os sentimentos desnudam-se, sem convenções, lugar-comum. Só eles, mais nada. Tão poucos, assim; tão fortes.
O sono alivia, livra, rompe. Dormir é abandono, é encontrar segurança no calor do sonho. É ter pesadelos e poder acordar deles.
“Viver é mais fácil com os olhos fechados.” (Jhon Lennon)
Mas aí o dia chega, e o máximo que você pode fazer é acordar, e submergir do eu onde esteve mergulhado, verdadeiro e silencioso. Desconhecido e surpreendente, mas estranhamente familiar.

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