sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O Fruto

Soprava uma brisa gelada pela noite.Aconchegando-se mais dentro do casaco, Artur previu uma gripe se aproximando.No dia seguinte ele provavelmente não se levantaria da cama sem um analgésico.

Riu diante da banalidade desse pensamento; estava prestes a fazer uma coisa que mudaria o rumo de sua vida, e se preocupava em pegar uma gripe.''O homem às vezes age de maneira ridícula'', concluiu.

Já passavam das dez da noite, e mesmo assim seus passos eram lentos.Realmente, não era uma hora adeuqada para uma visita.''Mas'', pensou ele, maliciosamenet, ''não será uma visita comum''.

Ele passava em frente às casas e espiava pelas janelas. Via luzes fluorescentes e televisões ligadas no último bloco da novela das nove. Burnurinhos de vozes, risos, gritos, sussuros, garfos raspando o fundo de pratos, conversas ao telefone, crianças brincando, bebês chorando e mães cantando emprestavam aos tijolos, cimento e móveis a qualidade única e quente da palavra ''lar''.

Artur, sozinho e tremendo sob o sereno, teve o coração invadido pela cobiça.Queria uma mulher pra chamar de esposa, crianças pra chamar de filhos, uma casa pra chamar de lar.Enquanto andava, porém, seu teto eram as estrelas, e seus companheiros, o medo e a ansiedade.Às famílias, os momentos aconchegantes; a ele, as decisões difíceis.
De repente, algo mudou. Ele não soube dizer o que era, não teve tempo de raciocinar. Foi apenas uma sensação que durou pouco mais do que alguns milésimos de segundo. Então, uma sucessão de acontecimentos se entrelaçaram, como numa batida de automóveis. Não houve uma ordem cronológica, tudo apenas aconteceu, bem diante de seus olhos.
As luzes de todos os postes e casas se apagaram, e houve um momento de silêncio tão profundo que nem mesmo a respiração de Artur ousou quebrar. Paralisado, ele viu um par de olhos surgir por entre as casas e encará-lo como dois neóns. Eles eram a única luz em um raio escuro a perder de vista. E o pior: era impossível ver a quem pertenciam.
Um longo segundo se passou enquanto dois pares de olhos se fixaram um no outro, sem pestanejar. Artur pôde jurar que sentiu o aroma da própria morte emanando da escuridão que o envolvia.
Instintivamente, o rapaz colocou a mão no bolso do casaco e encontrou o objeto que ali estava. Seu mero toque pareceu reconfortante.
Uma sirene da moto do guarda noturno gelou todos os seus ossos e rompeu com a magia negra que parecia imperar ali. Por um fugaz instante, Artur achou que a polícia estava atrás dele e pensou em fugir. As luzes se acenderam todas de uma vez e dissiparam definitivamente a paralisia tangível que envolvera o tempo e seus pensamentos. O medo insano passou, revelando que os olhos fluorescente eram, afinal, apenas de um enorme gato preto em um muro, que fugiu assim que foi descoberto.
O vigilante passou a alguns metros de Artur, que ao vê-lo próximo segurou com força o objeto em seu bolso. Os dois trocaram um boa-noite e seguiram cada um o seu caminho.
Os pés de Artur o fizeram dobra uma esquina. Suas veias estavam dilatadas, e o oxigênio entrava em seus pulmões com dificuldade, como se o ar fosse feito de concreto. Já não sabia porque tremia e suava: se de medo pelos segundos loucos e aterrorizantes que vivera a pouco, ou pelos que viriam, baseados em sua própria decisão. Agira, estava muito próximo de seu destino.
Começou a filosofar sobre a existência do destino. Era ele quem ditava os acontecimentos? As decisões a serem tomadas, as encruzilhadas, o poder de escolha, isso realmente existia ou fazia parte de um mecanismo além do entendimento humano, muito mais complexo do que a origem do Universo, muito mais infinito que este? O fato de estar ali, naquela rua, naquela hora, com aquele dilema crucial na cabeça e com aquele objeto no bolso, eram consequências de seus passos ou apenas obedeciam a um fio condutor, como nas marionetes, liderado por alguém (ou alguma coisa) que realmente conhecia a verdade, o começo e o fim, a vida e a morte?
Divagando sobre essas perguntas sem respostas para fugir da questão que ele realmente tinha que solucionar, Artur passou em frente a uma igrejinha do bairro. Ele não seguia nenhuma doutrina a algum tempo, mesmo assim sentiu um impulso de entrar ali. As portas estavam abertas, e ele se sentou no último banco.
Iluminada com poucas velas, a igreja grave e austera o acolheu. Seus vitraiseram pequenos e simles, não permitindo a entrada do luar. Os bancos da assembleia, as cadeiras do padre e coroinhas e o altar eram cor de tabaco, o que aumentava o tom de seriedade. Seu tamanho era menor do que o usual até mesmo para capelas, tendo apenas duas fileiras de assentos.
Artur estava sentado an fileira da esquerda, e no ponto mais distante a ele, nos primeiros bancos da direita, encontrava-se um coral de velhinhas. Elas cantavam um hino à meia vóz, nem se deram conta da entrada de um estranho.
Ficou ali por um tempo, silenciando seu coração e preparando-se para o que iria fazer. Refletiu, sem perceber, o quanto um templo pode ser calmante à alma. Não orou - julgava não saber - e nem pensou muito. Canalizou sua concentração para o dilema que o dilacerava. Duas opções, uma escolha. Tudo se resumia a isso. Se acomodar ou agir, fugir ou lutar, se esconder ou revidar todas as pancadas que já levara.
Usar ou não o que trazia consigo e pôr um ponto final em todos os insultos e sofrimentos? Nesse momento, o que carregava pareceu pesar muito mais do que o real. Pareceu pesar toda sua decisão, todo o futuro de sua vida.
As velhas pararam de cantar e fizeram uma oração que Artur acompanhou involuntariamente:
- Ave-Maria, cheia de graça... - o som da prece foi enchendo as paredes, o teto, o ar, num só ritmo: o dos corações unidos na fé. - Bendito é o fruto do vosso ventre... - os olhos de Artur se encheram de lágrimas. Havia tomado sua decisão. - Rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém!
As palavras ainda ressoavam no peito do rapaz, dilacerando sua alma com o poder que tinham enquanto ele saía da igreja, pensando que aquele lugar era, no fim das contas, muito fúnebre. Em seu rosto, emtampava-se um sorriso onde se lia alívio e determinação.
Caminhou mais algumas quadras e entrou em um quintal por um portão baixo. Parou em frente a porta azul escura. Sua cor intensa só era quebrada por um olho mágico à altura de sua testa. Tocou a campainha que ficava no canto esquerdo e esperou, enquanto um momento tenso se passava atrás da madeira.
Foi recebido pelo rosto mais lindo do mundo, que estava assustado. A dona vestia um roupão rosa claro e o indagava, com seus olhos pequenos e cheios de vida, se ele estava louco. Artur reparou que a barriga parecia inocente demais sob o robe felpudo, e seu coração sorriu ao se lembrar do que tinha lá dentro.
- Entre. - disse ela, dando-lhe passagem.
- Com licença. - pediu ele, surpreso com a segurança em sua própria voz.
Adentrou calmamente na sala e desejou uma boa noite aos que estavam ali. A mulher no sofá o respondeu, o homem na poltrona não. Nem sequer desviou os olhos do aparelho de TV.
_ Sente. - ofereceu a mulher.
Ligeiramente encabulado, ele se sentou no sofá de couro marrom. O calor no ambiente pareceu aumentar durante o desagradável silêncio que se seguiu, muito pior do que os silêncio de frente aos olhos do gato, quando Artur achou que morreria. Na verdade, o calor era seu rosto ruborizando-se, mas ele não percebeu. Ao contrário, dirigiu a palavra ao homem sentado na poltrona:
- Prometo ser rápido e não tomar muito seu tempo, senhor. - a única voz que o respondeu foi da personagem do filme. "Precisamos encontrar a saída, Alfred!" - Eu sei que já é tarde, e peço desculpas por isso, mas creio que, mesmo se a hora fosse adequada, eu não seria bem-vindo aqui. - respirou fundo e soltou todas as injustiças que fora obrigado a ouvir, erguendo ligeiramente a voz. - a julgar pelos insultos, injúrias, desfeitas e pirraças que o senhor já me deu, de graça, acredito conhecer sua opinião sobre mim. Mas esse é o momento pra lhe mostrarquem eu realmente sou. - o rapaz se levantou e o homem desviou os olhos do aparelho, imitando-o. A moça de robe pensou que Autur parecia ter crescido uns cinco centímetros apenas com sua bravura. - Vou lhe provar meu valor. Não sou o merda, o vagabundo sem ambição que você cansou de repetir que eu era, aos berros na porta dessa mesma casa. Não sou nada disso, e vou lhe mostrar que posso não ter dinheiro, sorte e nem nada disso, mas tenho uma coisa que você nunca teve: coragem. Chega! Não vou mais me sujeitar aos seus caprichos.
Sacou do paletó o objeto que o libertaria da tirania do velho - que, a propósito, estava roxo de raiva - e o revelou a todos. A boca das duas mulheres formou um "O" quando viram o que era. Os olhos de todos arregalaram-se. "O que ele pretende fazer com isso?", pensou a mãe da moça, segurando com força no sofá. O objeto reluziu rapidamente antes que Artur dissesse, suave mas decididamente:
- Renata, quer se casar comigo?

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

INVASÃO DA INVENÇÃO

Há muito tempo atrás houve uma invasão. Muito mais sutil do que a dos bárbaros, e muito mais terrível também.
A Terra sofreu uma invasão alienígena.
Eles, os ET's, observavam o nosso planeta já a algum tempo, e viram que os homens organizavam suas atividades - levantar, trabalhar, comer, se divertir, dormir - através dos ritmos da natureza, levando em conta o nascer e o pôr-do-sol, os períodos de chuva e estiagem, os movimentos da Lua.
Esses alienígenas tinham, como todo alienígena que se preze, tecnologia superdesenvolvida, e a princípio acharam graça em como os homens sujeitavam-se a coisas tão rústicas e nem sempre estáveis. Calcularam, então, que seria interessante brincar com os habitantes daquele pequeno planeta azul, presenteando-os com um de seus inventos mais banais.
Ao contrário dos lombardos, visigodos e anglo-saxões, ninguém percebeu quando essa tecnologia foi discretamente introduzida aqui. Pareceu a todos que fôra um objeto inventado num momento de inspiração, um incrível aperfeiçoamento dos protótipos já existentes. Ninguém percebeu que os mecanismos envolvidos ali era terrivelmente precisos para serem de origem humana. E nem o quanto ele era perigoso.
Sim, pois o intento alenígena era, além de se divertir às custas do pequeno mundo, dominá-lo de alguma forma. Mas sem que os terráquios se dessem conta, já que era muito atraente observá-los séculos a fio, como formigas ocupadas demais em seus afazeres pra se darem conta de qualquer coisa além de sua colônia.
O invento extraterrestre atingiu seu objetivo. Primeiramente foi visto com desconfiança pelo povo europeu da Idade Média, mas sua precisão rítmica logo encantou capitalistas e assalariados, que passaram a dividir seu dia buscando dedicar mais tempo às atividades mais rentáveis, a estabelecer o preço dos produtos de acordo com quanto tempo ele levava pra ser feito, e inclusive a designar cada hora de trabalho com um valor pecuniário específico, de acordo com a "máquina".
Na Idade Moderna e na Contemporânea, esse invento ganhou cada vez mais imoirtância. Tornou-se belo, caro, de ouro, digital e acoplado a outras tecnologias. Foi através dele que os momentos inexplicáveis, únicos em sua breve existência, passaram a ser valorizados a partir de sua quantidade, e não de sua intensidade.
Acessório indispensável na vida do homem atual e motivo de chacota aos verdadeiros criadores, que prenderam todo um planeta às ordens ditadas a partir do primeiro irritante tiquetaquear ouvido.
Essa é a verdadeira história dos relógios.






domingo, 16 de janeiro de 2011

um pensamentozinho aí















Quanto mais alto eu subo, mais longe eu enxergo, porém menos detalhes eu vejo.

Nada novo, porém há uma grande verdade nisso.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

CATARSE

Esse é um conto puramente ficcional. Qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência. Abriu a porta do apartamento já ansiando por qualquer lugar onde deixar suas coisas. Carregar papéis e pastas, maletas de executivo e tudo o mais contribuía, sem dúvida, para irritá-lo em seu cansaço. Jogou tudo em cima da escrivaninha e foi tomar um banho relaxante. Cheirando a sabonete masculino e ainda enrolado na toalha, sentou-se em sua poltrona. Fora um dia difícil, mas sem dúvida produtivo. Fechara um importante acordo com uma transnacional europeia, e isso ampliaria os mercados da empresa para a qual trabalhava. Estava satisfeito, sentindo-se um vitorioso. Mas agora, porém, devia desligar-se do trabalho, dos afazeres, da vida profissional. Esse era o maior desafio que ele enfrentava todo o dia. Quase sem querer, seus olhos passaram ao livro de contos que encontrara no metrô. Detestava transporte público, aglomeração, espera, filas e mais filas. Esperava sinceramente que seu carro voltasse do concerto no dia seguinte. Senão... Calou seus pensamentos. ''Chega de estresse''. Resolveu pegar o livro para relaxar. Seu apartamento recém-adquirido era pequeno e confortável, mas tinha toques de requinte: um tapete persa no quarto, lençóis egipcios na cama, ornamentos africanos na sala onde agora estava, souvenirs de suas constantes viagens a negócio. Levantando-se vagarosamente, andou até a escrivaninha e estendeu a mão para o livro de capa amarelada. Não era muito fã de leituras, mas esperava que isso talvez funcionasse mais efetivamente do que os entediantes programas de televisão no processo de descansar. Sentou-se novamente em sua poltrona cor de musgo e abriu a primeira página onde se liam os nomes dos contos. Escolheu um ao acaso, abriu na página corresponde e começou a ler. "Ele só queria desligar-se do trabalho. Sentou-se em sua poltrona para ler um livro e, quase sem querer, começou a ouvir os sons na avenida movimentada lá embaixo. Escutou motos e carros a toda a velocidade. Sentiu a brisa entrar pela janela e resolveu fechá-la.''




Como sempre acontecia quando começava a ler um livro, ele foi desligando-se das palavras e passou a prestar atenção em outras coisas. O que o perturbava eram aqueles veículos andando a velocidade da luz na avenida onde morava. De repente sentiu-se muito cansado, como se estivesse prestes a pegar um resfriado. Achou melhor fechar a janela e interromper o fluxo da brisa que chegava até ele. Não podia se dar ao luxo de ficar doente agora, não quando tinha tanto trabalho a fazer. Fechou a janela, puxou a cortina, mas não sentiu-se melhor. Voltou ao livro. ''Se quisesse, poderia acompanhar as brigas diárias do casal que morava num apartamento ao lado do seu. Bom, mesmo se não quisesse. Eles não pareciam fazer questão de esconder.'' Girou seu pescoço para tentar aliviar a dor que ameaçava tomar conta de seu corpo. Pensou se ainda teria analgésicos na gaveta de remédios. Achava que não. Tentou novamente se concentrar na leitura, mas pra ajudar sua vizinha dona de uma loja de eletroeletronicos (e que sempre lhe dava um sorridente bom dia no elevador) estava mais uma vez discutindo com o marido, o eterno empresário frustrado a espera de uma promoção. Ele tentou ignorar o fato, anotando mentalmente alguma coisa como: ''nunca me casar''. Aonde estava mesmo no livro?Ah, sim. ''Sentiu uma terrível e assustadora pontada na cabeça, e uma estranha sensação de mal-estar, como se algo ruim estivesse para acontecer. Ouviu o celular tocar e correu para atendê-lo. Como sempre, trabalho. Quando voltou ao livro, não sabia nem o que estava fazendo com ele: só pensava no telefonema.'' Ouvira falar que muito trabalho baixava a imunidade. Besteira, trabalho era sempre o melhor remédio. Se bem que um fim de semana prolongado em sua casa de campo não seria ruim... Sombra e água fresca, andar a cavalo e dormir até mais tarde. Poderia convidar alguma colega de trabalho... Não. Acabariam tocando em assuntos da empresa. Convidaria, então, sua bela prima de pernas torneadas... Era só esperar pelo próximo feriado. Repreendeu-se, por desviar-se da leitura, e assim que voltou a se concentrar nas palavras, sua cabeça latejou, como se uma faca a tivesse perfurado. Curvou-se sobre si mesmo até praticamente deitar sobre a toalha que o envolvia da cintura pra baixo. O livro caiu no chão, sua visão turvou-se. Sua respiração saía com dificuldade. Ficou assim por alguns minutos, e então normalizou-se. Porém ficou preocupado. ''Amanhã vou marcar uma consulta'', decidiu. Pensou se valeria a pena terminar o conto, afinal, faltavam apenas algumas linhas. Mas parecia tão chato e enfadonho... O conhecido toque de seu celular o fez despertar. Correu pela sala a sua procura, e depois lembrou-se que o jogara em cima da cama quando tirara as roupas para tomar banho. Era seu chefe. - Alô? - Temos problemas. - claro, senão por que ele ligaria a essa hora da noite? - O que houve? - mal conseguia disfarçar a preocupação na voz. - O negócio com a espanhola. Marcaram uma reunião para amanhã, às oito. Acho que a concorrente ofereceu um preço melhor. - Impossível. Eu chequei todo o processo de produção e o preço em que chegamos é o mais baixo possível. - seu cérebro estava a mil. O que eles queriam? Sua exposição dos produtos fora perfeita! - Bom, liguei apenas para avisar. Espero que até amanhã você já tenha pensado em alguma coisa pra lhes oferecer, caso eles queiram cancelar. - Sim, senhor. Até amanhã. Droga! Todo o trabalho de meses seria em vão? Todo o estudo sobre o mercado europeu e os cortes possíveis para oferecer o melhor preço, e ele queriam desistir? Malditos. Voltou a sentar-se na poltrona, recolheu o livro por puro instinto de organização, e procurou a página onde estava, sem nem saber o que fazia. Talvez, se baixasse 5% o salário da mão-de-obra direta... ''Foi quando ouviu baterem à porta. Estranho, por que o porteiro não avisara?E por que não estavam usando a campainha? Levantou-se para abri-la.'' ...ou então comprasse materiais de embalagem de segunda linha... Não afetaria a qualidade do produto em si, mas baixaria o preço, nada muito significativo, porém... ''Nem olhou pelo olho mágico, abriu a porta e levou um tiro na cabeça, morrendo instantaneamente.'' O conto acabara, com um final idiota. Também, mesmo se fosse alguma coisa que prestasse, não saberia, já que mal prestara atenção às palavras que bailavam à sua frente. Estava preocupado. Onde errara? Ou talvez nem fosse nada disso. Poderiam simplesmente acertar alguns detalhes, querer mudar alguma coisa... Toc, toc, toc. Bateram na sua porta. Foi atender.