sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Ideologia...eu quero uma pra viver!

É como se uma bomba-relógio estivesse tiquetaqueando dentro do meu peito, no lugar do coração.Me sinto, ao mesmo tempo, vazia e ameaçada por algum fantasma invisível.A angústia sem explicação me incomoda o suficiente para que as cores do céu estejam cinzentas, bem ao gosto da Morte.Assaltada por sentimentos alheios em um curto período de tempo, me dou conta do indizível oco dentro de mim, preenchido vez por outra por presenças que atuam como oxigênio na minha alma.Mas ainda sim o oco, com toda a força da palavra.
Tento preenchê-lo substituindo, como num jogo de xadrez, a dama pelas torres, bispos, cavalos.Nada, porém, tem a mobilidade, sutileza, beleza dela.Única, definidora de encruzilhadas, algo pelo qual vale a pena lutar, se sacrificar.Sem ela, a partida não tem o time certo, as jogadas não se combinam, e o xeque (mesmo que for mate) não tem o mesmo sabor.Perdê-la em defesa do rei é...aceitável.Perdê-la por um descuido causa esse buraco que eu sinto agora.
Uma maneira de tentar tapá-lo é me embriagando de histórias, apresentadas de diversas maneiras.Nenhuma, porém, me faz esquecer definitivamente a minha própria história; nenhuma aventura, suspense, romance, ação que eu acompanho fervorosamente a cada semana me faz diminuir o buraco.Esse, oculto sob as palavras, imagens, sons de outras personagens, aumenta gradativamente, e meu antídoto vira meu veneno.Um preço que eu, puerilmente, aceito pagar em troca de algumas páginas de emoção.
Preencher o vazio...Uma tarefa que eu preciso aprender sozinha, auto-didaticamente.Sem livros, músicas, amor ou amizade.Eu e meus pensamentos, vazios e silenciosos, secos, estéreis, com gosto de lágrima seca.Não se impressione, encarar-se, descobrir-se não é tão bonito quanto fizeram você acreditar.Mas tem suas compensações.

Eu espero.

3 comentários:

Fernando disse...

"Uma tarefa que eu preciso aprender sozinha, auto-didaticamente.Sem livros, músicas, amor ou amizade.Eu e meus pensamentos, vazios e silenciosos, secos, estéreis, com gosto de lágrima seca.Não se impressione, encarar-se, descobrir-se não é tão bonito quanto fizeram você acreditar.Mas tem suas compensações."

Eu só tenho a acrescentar que "as compensações" do autodescobrir-se encontram-se no próprio processo, no correr e decorrer desse aprendizado. É um processo vitalício - uma vez iniciado, só podemos pará-lo, e para nosso malogro, voluntariamente. Continuá-lo empresta um sentido inteiramente novo à vida. Ver-se vivo é despertar para o belo, onde quer que esteja, onde quer que não o vejam todos os outros que seguem dormindo e trombando e maledizendo os demais como a causa infinita de seus tão ditos problemas.

Marina disse...

vc entendeu perfeitamente o que eu tentei dizer!!
fico muito, muito feliz!!

Fernando disse...

E eu tão feliz quanto, Nina! Poder compreender o outro é ter a chance olhar a si no espelho!