Eu?
Mistura esquisita de tantos livros, tantas músicas, tantas histórias...
Se eu fosse uma religião... seria o Islamismo, pois aprendi em minhas aulas auto-didatas sobre História Antiga e Medieval que essa não é uma doutrina pura, é a mistura de tantas outras...
Se eu fosse uma cor, seria o amarelo.Eu amo o Sol, e meu humor também o ama.Amarelo claro, indiscreto ou despercebido, dependendo de quem olha.Calor, energia, criatividade.
Se eu fosse uma música...Simplesmente estaria como estou agora: me perguntando 'quem sou eu'.
Se eu fosse um lugar...gostaria de ser uma grande catedral, pra guardar dentro de mim a magnitude, a paz, os segredos, a fé, os pecados, as redenções de tantas personagens...
Se eu fosse um livro...ainda estaria no índice, mas já teria escrito o epílogo como prefácio.
Se eu fosse um caminho...seria cheio de curvas, retornos, quedas, tropeços, companhias distraídas e estrelas que não guiariam, apenas prosseguiriam comigo em meus passos lentos e vigorosos.
Se eu fosse um sonho...seria uma imperatriz dum mundo desconhecido e excitante, seria a dama de um rei, a parte de uma profecia.
Se eu tivesse que escolher entre 'amar' e 'ser feliz' cairia invariavelmente na minha teia de perguntas da qual não consigo escapar quando não entendo a diferença entre dois termos.
Se eu fosse um dia da semana...seria o domingo.Mesmo achando que ele é cinza tedioso...seria eu.Não por escolha.Por sinceridade.
Se eu fosse uma personagem histórica, qualquer uma, escolheria ser a inventora das palavras.
Se eu pudesse escolher quem eu seria, talvez, só talvez, diante dessa nova perspectiva de vida que se abre à minha frente e me faz refletir sobre tudo que eu achava já definitivo, eu escolheria ser eu mesma.
Por que talvez, no fundo, não importa quem você é.Seus defeitos, seus dons, seus medos, seus esqueletos no armário...São detalhes.Quem sabe não é você mesmo que DETERMINA quem é, fazendo das suas ações as encruzilhadas definidoras de personalidades.Não as proclamadas em consultórios psicológicos, mas aquelas únicas, formadas por cada bizarra faceta oculta de nossas experiências de vida, aquelas que secretamente se proclamam na nossa egoísta e irrefreável análise mundana.
Quem sou eu?
Eu sou aquilo que eu decidir fazer com minhas mãos, o caminho que eu trilhar com meus pés, sou da altura que meus pensamentos puderem chegar.
Meu maior sonho?
Aprender a sonhar direito.Por agora, sonho à minha maneira.Toda esquerda, toda equivocada, errada nos conceitos, canhota na alma, sempre na contra-mão.
Sempre cheia de planos, de listas, de injustiças cometidas, egoísta e ciumenta.
Hermeticamente falante, brutalmente poética, intensamente viva e amante, antítese de mim mesma.
Pistoleira de fantasmas, cega de desejos, apenas a nota desafinada de uma melodia harmônica.
2 comentários:
Não me surpreendo tanto pelo fato de você escrever bem, mas de escrever bem sobre o que fala direto à alma. Falar de si sem evocar o próprio nome é difícil, e você consegue fazê-lo com uma leveza instigante. Eu acho complicado descrever a mim mesmo, talvez você também o ache, mas conseguiu cumprir a tarefa de modo hehe... apaixonante.
E a parte do Islamismo, uau. Se eu estivesse procurando um amor platônico, você seria o outro lado da moeda, e o querubim estaria gargalhando lá de cima, tendo me acertado. Parabéns.
Estou tão embasbacado que perdi o que iria escrever.
Realmente, falar de si mesmo é complicado.Mas faz-se necessário diante da auto-busca.
E se consegui me escrever sem parecer presunçosa e chata ao mesmo tempo, fico muito, muito feliz xDDD
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