sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Mundo Perfeito'

Tudo podia ser fácil que nem um bombom de chocolate.Doce, e delicioso.Problemas cotidianos, bloqueios sentimentais, estranhezas interiores e exteriores, e maneiras de mudar o mundo.
Se você aceitar por um instante que tudo seria doce como um chocolate, veja algumas mudanças visíveis na vida:
♦Eu não estaria em pânico por ter que cantar amanhã em público pela primeira vez.Eu estaria extremamente segura e confiante que tudo vai dar certo e não existe nenhuma chance de dar tudo errado, até por quê, sou responsável por apenas metade da minha apresentação.Não posso ser a responsável pelo meu companheiro errar as notas, não é?NÃO É?Além do mais, se fosse doce como o chocolate, ninguém teria a chance de errar nada, e seria uma apresentação perfeita!
♦Não precisaria me controlar pra assumir um compromisso sério tão já, por que simplesmente eu 'deixaria rolar'.Se tudo fosse fácil e gostoso que nem bombom, amar não seria o compromisso mais definitivo de todos, pois eu pensaria que nem todo mundo, e eu estaria louca pra namorar tãocedo e denovo, sem respeitar meu limites de crescimento psicológico.
♦Ah, se tudo fosse fácil que nem um BIS...imagine, eu combinaria com o cara mais simples e normal do mundo, e eu seria calma, comunicativa, convenientemente desleixada.Entenda se puder, mas a verdade é que é muito ruim ser absurdamente aplicada e frequentemente me desesperar com o tempo, minha cabeça oca, minha memória vergonhosa, e a quantidade de coisas que quero aprender.
♦Imagine, se o mundo fosse uma grande panelada de chocolate!Você provaria um pouco, consultaria a receita, e acrescentaria o que faltava, tornando-a saborosa e aperitiva!Com uma bela textura, aroma suave e penetrante, além do gosto descaradamente bom!!!



Sabe, o chocolate só tem um problema.Ele enjoua.Mesmo que seja salpicado com um tom amargo às vezes, provar dum mesmo alimento por muito tempo não é saudável, engorda, e fica chato, insoso, cai no senso comum.Se perde, daí, toda a adrenalina do momento, por que me diz, pra quê uma apresentação perfeita se eu não sou perfeita?Se NINGUÉM é perfeito?Jogar fora a verdadeira sensação atrás de um objetivo inalcansável e 'xoxo' que nem a perfeição?Eu gosto de ser imperfeita, insegura, confusa, complicada, idiota e complexada com coisas pueris.Essa sou eu, e algo perfeito saíndo de mim não seria meu.E não teria minha essência naquilo...E uma decisão rápida, porém que não condiz com os meus pensamentos, também...E com amor de verdade não se brinca.EU AMO, e eu saberei a hora de assumir um compromisso.A maior aliança que posso estabelecer está no coração...A reciprocidade simples e normal não seria bastante.Ninguém teria a menor chance de entender e me amar como quem eu amo.Sem hipérbole, mas FATO: o amor correspondido é sem dúvida o melhor de todos, independente de quem ame. (Ver 'Morro dos Ventos Uivantes', e Catarina e Heatcliffe, o casal de egoístas, excêntricos e cruéis que simplesmente se amavam, o que tornava seu amor algo completo e recíproco).Não vejo alguém incapaz de enxergar beleza na estranhisse me amando.E esse alguém só pode ser assim também, para que o sentimento seja mútuo e o mais intenso possível.Não quero o normal.Quero só quem me ama.

O mundo...chocolate puro!Imagine só!Sem problemas, sem fome, sem injustiças...
Sinceramente, não tenho argumentos que desmoronem essa idéia.Por mais que a visão de um mundo padronizado e perfeitinho me arrepie, não posso, não devo ignorar que o sofrimento humano não vale o preço das idéias e das evoluções.
Por mais que eu seja CONTRA o perfeccionismo em todos os lugares, no MUNDO como um todo não o vejo como nada além de um possível amenizador dos males que o imperfeito homem provocou.Idéia estúpida e útopica essa minha?Sim, sem dúvida.Mas se puderem, POR FAVOR, argumentem se não vale abrir mão do crescimento político, econômico e científico em favor da paz?(lembrando que isso é apenas uma vaga teoria, sem fundamentos, fontes, nenhuma base confiável, docilmente sujeita a reinvindicações, e sem nenhuma atitude plausível para efetivar-se).

Boa noite, e obrigada.

4 comentários:

Fernando disse...

1.Bom, antes de pensarmos que a economia, o (nefasto, sim!) desenvolvimento econômico e etc têm de parar, eu creio que há outra série de questõe, sempre deixada de lado, que JAMAIS deveria ser ignorada:

Por que há tanto mal no mundo? Por que tantas pessoas rezaram e oraram e se ajoelharam e cheias de fé rogaram suas intermináveis preces, durante a 2ª Guerra Mundial, e mesmo assim nada impediu que mais de 60 milhões de vidas fossem ceifadas??

Por que eu e você, e talvez nosso irmão e irmã, nossos pais, nosso vizinho amigão, jamais matariam alguém, mesmo morrendo de ódio, mesmo perdendo os nervos, e outros simplesmente não se contêm?

Por que há tantos estupros, e mortes violentas, e chacinas, e latrocínios (=depois do cara te roubar ele ainda por cima te mata), e corrupção, e notas frias e tanta sacanagem que EU e VOCÊ (e tantos outros que conhecemos) simplesmente não seríamos capaz de cometer, perpetrar??

Bom, faz tempo sou leitor do site (sott.net), que era antes hospedado no (ainda existente: cassiopaea.org). Entre várias informações promulgadas lá desde os primórdios do site, e hoje muito mais desenvolvidas com a citação de psiquiatras e psicólogos renomados, está a noção de "psicopatia". Estudos pegando amostras aleatórias da população não-carcerária (entre a carcerária é muito maior) mostram que de 4% a 6% das pessoas apresentam todos os sintomas-chave da psicopatia, que não é, como propõem VÁRIOS filmes e novelas da atualidade, uma mera "loucura", ou um caráter necessariamente violento, marginal, e extremamente agressivo e sanguinário, como observado nos assassinos em série.

Fernando disse...

2.A psicopatia é definida por um conjunto de sintomas que apontam uma necessidade do indivíduo em manipular a sociedade e todos os que estão em volta e sair ganhando, não importa o quê, mesmo que em detrimento de todas as outras pessoas, inclusive os mais próximos e familiares. Se eu disser mais, posso estar falando besteira, ou ocupando espaço demais. Mas o que importa, sobretudo, é que os estudos modernos convergem na direção de que a psicopatia é muito eficiente dentro de uma sociedade cuja ascensão é definida pelo carisma, pela fluência comunicativa e - não só no Brasil, o que seria uma ilusão pensar - pelo "jeitinho".

Não sei se você lê em inglês, mas seria certamente um ótimo incentivo para tal fim os dois links que deixo no fim do comentário, os quais eu li há algum tempo e está dentre os mais didáticos publicados na internet sobre a psicopatia. É bastante extenso, mas a leitura é fluida, embora cada linha deva causar ao leitor de primeira viagem um boa reflexão, como causou em mim há dois ou três anos. Não é fácil, não é o que nos foi ensinado, e a mídia não quer mesmo que nós saibamos com profundidade. Talvez porque se todos nós, (leitores, classe-média, alfabetizados funcionais) soubéssemos, iria rolar um impeachment global de todos os políticos tão-denominados "safados" e "incompetentes" e "ladrões", e grande parte dos figurões da ONU, os tiras que abusam do poder (e todos os demais que abusam do poder) sobre as quais a carapuça da psicopatia poderia cair muito bem, caso um belo dia eles pudessem ser alvo de estudo desses mesmos especialistas, sem os especialistas, é claro, correrem risco de vida.

Enfim, sem o conceito de psicopatia, fica difícil entender a Guerra do Iraque, a do Afeganistão, e a que está (provavelmente?) vindo, a contra o Irã. Seria difícil entender as mais de 850 milhões de pessoas passando fome no mundo todo, havendo tanta abundância alimentícia e lucros, que, divididos, deixaria todos muito bem de vida, ou ao menos vivendo com dignidade. Seria difícil entender o assassinato de um presidente tão amado como John F. Kennedy, e o assassinato de seu irmão Robert F. Kennedy, que iria certamente ganhar as eleições seguintes. O homem que matou pode ser um "lunático", ou um joão-qualquer programado mentalmente para matar (confira o filme "The Manchurian Candidate"), como sugerem alguns estudos, aqui e acolá. Mas, as pessoas responsáveis, os que se situam detrás do palco da guerra e do assassínio anônimo, certamente são indivíduos sedentos por poder e dinheiro, e todo esse caminho será trilhado sem sequer um pingo de consciência.

As Guerras do Iraque e do Afeganistão, e, por que não, a miserável situação na Palestina - imposta por um Estado ilícito e assentamentos que nunca param de se expandir sobre terras alheias e tomadas após massacres, percorrendo mais de 6 décadas (ou seja, muito mais do que o infame Apartheid sul-africano!!), que maculam aquele chão abençoado por oliveiras, são apenas as que melhor conhecemos, por serem da nossa geração - e porque hoje se contesta o absurdo e o caos em que vivemos. Mas e na época dos nossos pais? Quantos estudos divulgados havia sobre a psicopatia? Puxa, década de sessenta e setenta? Divulgados? Mesmo nada.

Fernando disse...

3.Mas hoje há, e deixo aí o link, meu email (nome do meu blog + gmail).

The Psycopath - Mask of Sanity ("Mask of Sanity" é o nome do artigo abaixo, o mesmo nome, aliás, do livro que, lançado em 1941, iniciou em peso os estudos sobre a "psicopatia". Seu autor, Hervey Cleckley, é considerado hoje o pioneiro. Ou seja, 68 anos de estudo sobre o tema, e muitos de nós jamais escutamos uma palavra)

(http://www.cassiopaea.com/cassiopaea/psychopath.htm)

E uma entrevista, também bastante acessível conceitualmente:

(http://www.bookbrowse.com/author_interviews/full/index.cfm?author_number=1097)

Por que talvez você seja uma pessoa como eu, que chorou a primeira vez que entendeu, de fato, quando criança, a palavra "estupro". E que se pergunta, e busca incessantemente a resposta, do porquê alguém com dinheiro roubaria ainda mais, aproveitando sua posição, entraria em negociações ilegais, e jamais se arrependeria, como é o caso do nosso Maluf.

Eu cansei de guardar isso dentro de mim com receio do que os outros iriam pensar. Todos nós estaremos na boca do lixo se não entendermos porque o mundo traz tanta desgraça, o que é um paradoxo se considerarmos (erroneamente) que todos os seres são igualmente dotados de empatia e uma comunhão de sentimentos unicamente humanos.

4%, 6%, são cifras assustadoras. Mas, sem ler, fica difícil saber. Taí meu email pra contato, qualquer coisa manda um alô, dúvida, etc. É bem capaz que esse seja um dos maiores comentários da história dos blogs, mas minha pretensão é uma só: que quem leia, leia até o fim. Abraço.

Fernando disse...

Os links foram cortados, então eu vou separá-los pra caber:

1)http://www.cassiopaea.com/cassiopaea
/psychopath.htm

2)http://www.bookbrowse.com/author
_interviews/full
/index.cfm?author_number=1097

(só juntar as partes sem deixar nenhum espaço)