Bichinho do mato
Tentando juntar cada caco,
Buscando colar os frangalhos
Tendo demais pontos falhos.
Com um coração sedento de calor
E um senso de justiça tão amador
Consigo calar cada xingamento
Em vez de dizer o que realmente penso.
Prefiro me esconder sob o cobertor
Querendo mesmo é escancarar a dor.
Pretendo construir um mundo de justiça
Quando na verdade me aceito tão submissa.
Rebeldia nunca foi mesmo o meu forte
Eu, que nem consigo entender a morte.
Rasgo o ideal de liberdade
Enquanto apodreço minha vontade.
Sou proscrita nessa terra
Covarde fugida de uma guerra,
Sendo chamada de grande gênio
Como se isso fosse um belo prêmio.
Idealista tola, essa é a verdade
Perita em fugir da realidade:
Ignoro a métrica, sou simplória
Prefiro a rima, invento outra história.
Um comentário:
É uma poesia que superaria muitas outras que escrevi. Deixo aqui meu agrado - e digo que também me sinto submisso, sujeito, e pouco faço para deixar de sê-lo. Me deu vontade de tentar agir diferente. Por isso digo que é um poema inspirador.
Volte a escrever - reencontre esse prazer, do qual compartilharei como leitor.
Abraço.
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